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Vicente Cordeiro

Ao final dos anos 1960 atua no meio de publicidade na capital de São Paulo, criando logotipos, programação visual, etc. Dedica-se, paralelamente, ao desenho e à escultura e já expõe em algumas mostras coletivas de artes plásticas.
Em 1975, participa da experiência grupal de aprendizado e produção de cerâmica no antigo matadouro da cidade paulista de Cunha. Desde então, define-se pela cerâmica artística executada de acordo com técnicas tradicionais japonesas, envolvendo extração e preparo de barro e esmaltes e queima em forno à lenha de alta temperatura - e associa esse antigo processo artesanal ao despojamento da forma promovido pela escultura moderna européia. Segundo Vicco, lhe interessa, sobretudo, a escultura de Brancusi, reduzida a elementos formais mínimos. Essa dupla referência motiva seu interesse pelos modos do fazer pré-industrial e por uma geometria orgânica inspirada nas formas elementares da natureza.

Mais do que uma técnica, para Vicco, o fazer da cerâmica constitui um saber empírico e um processo de transformação concreta e simbólica. Sua produção trafega entre objeto decorativo e objeto de arte, porém, com privilégio deste último. A coerência de seu trabalho, pautado pela redução das formas a uma geometria orgânica que não dispensa o aspecto conceitual, ingressa no circuito de arte brasileira e chama a atenção da crítica especializada da época. Em sua coluna de artes plásticas, Frederico Morais, em particular, aponta na obra de Vicco a promoção inédita das possibilidades artísticas da cerâmica, segundo o crítico, até então, pouco difundida no Brasil fora do âmbito da arte.